Dream on

Eu queria falar de sonhos e como é importante recuperar alguns, ressignificar outros e criar novos. Acontece é que, na contramão da vida, a gente costuma pegar uma via e os sonhos outra. Vai acontecendo quase tão natural quanto fazer aniversários – e piora com cada ano a mais.

Resolvi colocar tudo em dúvida. Quer dizer, tem duas ou três coisas que são muito claras, não precisam disso, mas o resto? O resto é hora de perguntar: e aí, isso aqui vai ou fica? É muito parecido com limpar o guarda – roupa, mas deve ter uns três anos que eu não reagia assim.

Talvez seja resultado do tratamento; reagir é o ponto focal, e parece que existe alguma razão meio química que me falta nessa parte, mas venho tentando compensar e descobrir onde ela ficou pra trás – não sou causa perdida, amém. O processo se justifica, ainda que nem sempre as armas agradem.

Por ora, deixei minha playlist de Marília Mendonça tocando a tarde toda – ela sempre teve um ponto de vista lindo sobre a vida – e terminei o dia escrevendo esse texto aqui, que não me exigiu muito. Fiz gestos sutis, porque é neles que acredito. Olhei os sonhos com carinho e deixei cada um no seu devido lugar. É desse ponto pra frente que começa aparecer as respostas. Alguns vão ficar pelo caminho, mas é assim que outros vão dar certo.

Não fiz nada disso porque me arrependi de algo, nem é por ser final de ano. Se fosse abril, tudo iria acontecer do mesmo jeito. Esses rascunhos são parte disso, a voz que não deixo sair quando não posso apressar o relógio. Silenciar no mundo lá fora é falar muito aqui dentro, tem sido esse o desafio pra escutar o que causa inquietações de um futuro.

Ando desviando de armadilhas, buscando reagir nas partes de mim que já sabem o caminho sem precisar de atalhos. Vida pra sonhar, sonhos pra viver – alguma coisa nisso faz sentido.

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