sobre perder algo que nunca se tem

Para conectar essas palavras foi necessário viver uma sensação dolorosa
Deu certo. Uma pena.
…
Parecia uma pequena poça de água deixada pela chuva, mas quando meu pé encostou na superfície, fui sugada para aquele pequeno oceano de sentimentos.
Em meio a ausência das palavras, hoje eu me afoguei. A visão ficou turva, as mãos ficaram dormentes e, de repente, vazio.
Muito vazio e frio.
Em meio a toda essa escuridão, fui atacada por pensamentos impiedosos sobre a sua partida. Na verdade, para você partir seria necessário que antes de mais nada você viesse ao meu encontro.
Como posso temer com tanto pavor a partida de alguém que tão pouco fez por mim? Como cheguei nessa posição tão complexa por alguém que sequer deu um passo na minha direção?
Eu não dependo emocionalmente de ti.
Você não possui as características que eu considero as mais incríveis. E o pior, você nunca fez nada de tão carinhoso por mim.
É uma merda ser a pessoa que sempre se importa mais.
A única coisa que me faz despertar desse transe é um sentimento Culminante que já cansei de ignorar.
Tambores rufa no meu estômago toda vez que lembro da sua partida. As batidas vão aumentando quando penso que eu poderia fazer alguma coisa para mudar isso. E o som se torna inaudível quando penso no vazio que restará ao redor.
Veja que loucura!
É possível duplicar o silêncio existente?
Você não me pertence. Desejo e posse são coisas distintas. Te prender não é sequer uma opção. Desejo que você seja livre, mesmo sabendo que você é presa a alguém.
Respiro fundo e sigo adiante como se uma violeta cartase não tivesse me acometido há pouco.
Cada pensamento a sua partida me causa esse apogeu extremado, contudo, isso não passa de uma grande ironia.
Afinal você nunca veio pra ficar de corpo inteiro.
Nunca esteve e nunca estará.
Pelo menos é o que gritam as suas ações.