Uma carta para José Salustiano (chapéu amarelo)

Dedicado a um dos melhores homens que já conheci.

Nem todo mundo vai entender sobre esse texto de hoje, não importa; a ordem dos fatores não altera o produto.

Hoje é a última Jurema do ano, eu queria deixar aqui nas palavras algumas coisas, para eternizar o que já me é muito eterno. Essa carta é para alguém que de alguma forma, vai ser o primeiro a ler; essa carta é para o senhor (nunca chame ele de você), chapéu amarelo.

O senhor é o eu que deu certo. Não é que esse eu de hoje não tenha dado, é que ele resulta do que fui ontem. O senhor é resultado do que sou hoje – a responsabilidade fica maior.

Deixa eu te contar uma coisa que até isso o senhor já sabe: o senhor me encontrou em muitos desistências, e no fim abraçou a insistência. Ou foi a coragem? É isso que dizem sobre ti, não é? O senhor insiste até o fim, e ainda um pouco depois dele. Alguns vêem como defeito, outros como qualidade. O desafio é não cruzar a linha do próprio limite, não se perder sem rumo por aí, porque o mundo não dá chance. E que o senhor sempre me insistiu em sentir.

Vou te contar outra coisa, mas essa com certeza o senhor também já sabe. Sentir dá muito mais trabalho do que pensar. De primeira até parece que não, mas dá. E o senhor sempre ensinou que o amor tá na nossa cabeça, tudo vem de lá. E hoje eu consigo entender melhor quem quer o quê, quem te tira o quê, quem entrega o quê, quem vale o quê – e sabe especialmente o quanto vale. Fica melhor quando a gente entende, não fica?!

Ontem eu não sabia como eu iria acordar hoje, mas fiz a única coisa que o senhor me ensinou: esperei. Agora, consigo até fazer planos para o amanhã. É, meu velho, parece que o passarinho alguma coisa realmente aprendeu.

O senhor é o eu que me ensinou a não chorar mais tão fácil porque qualquer motivo, e que eu encontre bons motivos pra chorar. É o eu que não carrega mais a ilusão (mas pense num passarinho teimoso), que se desprendeu um pouco da saudade (aquelas todas). É o eu do futuro que agradece o que já viveu até aqui, firmando cada pecinha desse mosaico meio torto, mas do jeito que é e ponto. O eu que se encaixa no mundo de peito aberto, mas nem sempre confiante. Hoje será a última Jurema do ano, mas ano que vem nos veremos novamente, e isso me conforta.

O senhor é o eu maior do que eu, o que alimenta minha esperança. O senhor é o que não cansa de tentar, de plantar, de colher, de sentir. De ser.

Te amo.

Do seu passarinho que ainda não aprendeu voar. 💛✨

3 comentários

  1. Avatar de Daniele C. Daniele C. disse:

    💛

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  2. Avatar de ROBERTA ROBERTA disse:

    Me emocionei e não foi pouco 💛✨

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  3. Avatar de Erasmo Andrade Erasmo Andrade disse:

    Esse sábio senhor me fez acreditar que sou capaz de conquistar coisas grandes e de me sentir uma pessoa melhor, tenho a honra de toda semana aprender um pouquinho mais com ele e sou grato por tudo que fez por mim e continua fazendo.

    Salve a Jurema sagrada!!!!
    Salve a Jurema de chapéu amarelo!!!!!

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