Sobre comunicar nossas vontades

Casa cheia. Pouca conversa.
Troca de olhares. Das mais enigmáticas às mais constrangedoras.
Percebo um falatório silencioso, pois os olhos de todos estão frenéticos e o silêncio grita pelos quatro cantos do ambiente.
Como isso é possível?
Me sinto uma completa estranha por não entender essa dinâmica.
Da última vez que comuniquei minha opinião com palavras, quase fui fuzilada com os olhos alheios.
Embora eu amei meu silêncio, telepatia não é para mim, mas me parece que é a escolha número um de muitas pessoas.
Percepção extra sensorial
Receber e enviar mensagens que “flutuam” de um mente para outra.
O óbvio que não precisa ser dito.
Vou atribuir a você a responsabilidade de saber o que se passa aqui dentro.
Vou jogar um verde para cada situação que não me sinto confortável e aguardarei que você receba, decodifique e a compreenda sem que eu diga uma palavra sequer.
. poder além do alcance.
Uma pena que isso não exista e que o mundo não órbita ao redor de ideias que sequer se materializaram.
Imagine só?!
Criar, viver ou estimular situações em que o ato de comunicar algo verbalmente seja sinônimo de incômodo?
A telepatia não passa de um ego em sua forma mais cômica. O problema é que ninguém vê graça alguma.
Esperar que alguém leia a sua mente, supor que cabe ao outro te desvendar, ruídos para todo lado, jogos de ego. Pedestal.
Não há aqui conexão, mas sim uma forçosa vontade de ser compreendido, as frases não se completam.
Todo mundo perde quando ninguém se entende de propósito.
Nem todos nós viemos de um ambiente onde a comunicação segura, clara e concreta era regra. Acredito que grande parte de nossas base foram construída com essa ausência de palavras ditas.
Contudo, operar dessa forma repentinamente e não questiona – lá é uma receita para transformar as suas relações em um campo minado.
Não se engane, o tratamento silencioso é um irmão gêmeo da ignorância, ambos tóxicos. Quanto maior for o elefante branco no meio da sala, maior deve ser a coragem de fazê-lo sumir no ar como fumaça.
Comunicar algo de forma clara e sem rodeios não deveria ser doloroso , deveria ser uma regra pois ninguém se machuca.
E aqui eu abro um parêntese: o que machuca não é a comunicação, e sim a verdade.
Seja o incômodo.
Bagunce as ” ondas tepepaticas ”
Enfrente um telepata com palavras que dançam no ar e que solidifica as coisas e não dão margens para dúvidas.
Fale.
Deixe tudo às claras e faça com que os telepatas se afugentem na escuridão.