Tenho medo, aprendo, respiro e recomeço

Foto: Patrícia Nunes/ Nascer do sol

Venho descobrindo outros modos de fazer as coisas. Encontrando outras formas de sentir, planejar e até permitir que elas aconteçam sem eu controlar.

Eu tenho aprendido até mesmo a falar, o que já é imenso para quem normalmente só escreve, e a esperar as coisas que fogem de mim: nem tudo precisa ser tão imediato. Dias desses fiz uma tarefa especialmente difícil: aceitei que meu corpo não tinha forças pra correr de manhã e fui à noite. Nessa troca tão simples, sob algum custo, vi o nascer do sol de um jeito que só eu entendi. Eu precisava daquilo e nem sabia, mas não são assim as coisas que mais nos transformam?

Nessas de aprender eu tenho pensado nos outros. Cada um tem o seu tempo, e a gente não encaixa as pessoas na nossa vida como peça de quebra cabeça novo. A gente encaixa é um monte de peças com uma lasquinha aqui e alí, aquelas coisas meio quebradas que todos nós temos. Encaixa – se no caos, muito mais do que na calmaria: você faz daí o que dá, eu faço daqui o que dá e os acasos mais bonitos acontecem. As pessoas têm o tempo delas, e só fica quem aceita nosso relógio e vice – versa.

Já tem tanta coisa acontecendo por aí, eu não preciso complicar mais. Eu fico feliz só de ver alguns planos que vão se desenhando e saber que o hoje constrói o amanhã, mas que é isto: ainda tem o hoje ( ainda bem ). Um dia teve o ontem, aquele importantíssimo tempo que me ensinou a olhar para frente, levantar a cabeça e até virar um pouco para o lado, porque é por eles que acontecem os escapes da vida. É nele que as coisas/pessoas inesperadas nos encontram.

Eu tenho calma. Terminei meu café a pouco sem pressa, ficou até frio. Acompanhei com o pão que comprei hoje cedo, às 7h, porque felicidade tem cheiro, gosto e até rotina. Fiquei feliz de ver uma senhora passeando com um cachorro e o homem passando com o nascer do sol ao fundo. No caminho meu short rasgou, mas era muito cedo para reclamar.

Acordei bem, o que não quer dizer que estarei sempre bem, mas venho descobrindo o que é deixar a vida trazer uma surpresa ou outra. Ainda tenho medo demais para aceitar que as coisas boas acontecem a pessoas comuns como eu. Ainda tenho medo que tudo escorregue pela minha mão sem eu conseguir segurar, como nas cenas dos filmes. Ainda tenho medo de falar muito e sair tudo errado, mas trago boas intenções. Ainda tenho medo quando lembro de muitos dias no quarto sem querer abrir nem a janela. Ainda tenho medo de voltar para aquele quartinho escuro, frio e quieto, mas esse é dentro de mim. Ainda tenho medo de perder o tempo, o sonho, o jeito. Ainda tenho medo de me perder. Ainda tenho medo… Isso faz parte da vida.

Tenho aprendido a respirar, mesmo quando me afogo.

5 comentários

  1. Avatar de Cloud Cloud disse:

    Eu estava acostumada a ter tudo sobre controle ou a tentar manter as coisas assim…e recentemente tive um date e pela primeira vez eu não estava preocupada em como seria o encontro, eu não estava no controle e isso me assustou mas percebi que foi uma coisa boa, a ansiedade não me atacou e não fiquei pensando nas horas, estou aprendendo a deixar as coisas serem como são… aprendendo a deixar o tempo fazer seu trabalho ao invés de querer eu fazer o dele. Obrigada por isso, obrigada me deixar ler, você é incrível.

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    1. Avatar de driziane driziane disse:

      Obrigada por estar sempre aqui, fico feliz que minha escrita te ensine até onde pode pisar os pés da coragem. Um abraço. Volte sempre.

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  2. Avatar de Dayenne Dayenne disse:

    Magnífico texto, maravilhosa imagem. Sempre muito bom te ler. Amo – te. 🌸

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    1. Avatar de driziane driziane disse:

      Só amor por você 🥰

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  3. Avatar de Dayenne Dayenne disse:

    Magnífico texto, maravilhosa imagem. Sempre muito bom te ler. Amo – te. 🌸

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