Foi uma jornada até aqui.
Agora, a estrada se abre. Há caminhos opostos que talvez venham a se cruzar lá na frente, ou não. Sempre tem o ” ou não”.
Foi uma jornada difícil. Já nem conto mais no calendário, porque não vale a pena esse tanto de dias e semanas e meses e anos. Não vale… O calendário não conta muito bem o que ficou, apenas o que foi. Ele não diz o que será, só o que passou. E quanto ainda tem do que já foi? Eu não vou saber responder, porque a vida nunca deixa ver o saldo tão simples assim.
Uma jornada que eu pensei muitas vezes que ia faltar perna para completar ( nem sei bem o que significa ” completar ” ). Uma jornada de quase abrir o peito e expulsar a gritos, pontapés e tapas. Mas não dá: na vida real a gente precisa ser mais sútil do que isso, e esse é o problema; nem sempre a sutileza acompanha a urgência do tempo de se refazer. A ilha deserta que eu precisei percorrer sem uma alma viva foi só eu e eu mesma, ninguém viu, ninguém ouviu. Eu não tenho fôlego pra fazer o caminho duas vezes.
Essa jornada teve muito desaprender para reaprender de formas novas coisas nunca vistas ou sentidas nesses 27 anos da minha existência. Foi muito querer também, é claro. No fim das contas, foi até muito desquerer, e acho que essa palavra nem existe, mas, pro meu bem, precisei inventar.
Eu ouço aquelas músicas antigas e elas não fazem sentido. Eu revisto as memórias e elas não se encontram bem no espaço/tempo, parece que desalinharam. Eu procuro vestígios, mas não sei onde perdi a chave da gaveta em que tranquei tudo.
Essa jornada também é bonita, preciso dizer. É necessário se colocar do avesso pra se ver do lado certo ( existe? ). Foi essa jornada que me pegou pela mão e disse pra explorar, tentar qualquer coisa, sei lá. Ir, ir e ir, até as certezas se revirarem. Eu fui, e fui pra caramba. As certezas se reviraram. E agora?
