Entre o sonho e a intuição

Acordar foi estranho. À noite, antes de fechar os olhos e cair no sono, fiz uma daquelas brincadeiras com a vida de pedir algum sinal, uma coisa qualquer que indique algo. Normalmente a gente faz isso quando já até sabe a resposta. O problema é quando o sonho e a realidade se cruzam.

E foi no sonho que tudo aconteceu. Pode ter sido o tal sinal? Sim e não. Eu prefiro confiar na realidade, naquilo que tenho hoje: as palavras, os gestos, as ausências e a presenças. Peço sinais porque todos pedimos, gostamos de brincar com o destino. De vez em quando vou lá, abro o Google e procuro o significado do sonho, mas sou um pouco cética, prefiro ouvir o que senti. E esse foi o problema: eu senti.

Quando é a intuição que me invade, eu sigo, e talvez seja ela que eu venha negligenciando. É que ela também anda dizendo o que não quero ouvir; é hora de ir por um lado com sabedoria e ela insiste em dizer que é para o outro. Quem será que vai vencer? A rota ainda é confusa.

Desta vez, ao contrário dos outros dias, eu não fiquei muito presa naquela sensação de sonho. Bons ou ruins, eles está lá, ainda distante da realidade. Pensei nele uns cinco minutos entre aquecer o café e ligar o notebook descobrindo qual era a temperatura lá fora. Eu nem abri o Google pra pedir ajuda, pois não acredito que a resposta estará lá. E também não sei onde essa resposta se encontra, talvez no tempo.

A gente pede sinais, mas ninguém aprendeu a ler essa linguagem. Pede pra sonhar e depois não saber no que acreditar. Pede uma direção, mas quando a estrada se abre, fica imóvel. As certezas são imensidão difíceis de se nadar, é na dúvida que se faz o caminho, e, por mim, tudo bem, se o caminho existir.

Conforme sigo o dia, silencio mais o sonho. Há muito por fazer e sem motivos para reclamar. Eu sei que os problemas estão aí, só que há mais a agradecer pela frente – essa é uma parte, não o meu todo. Pensei no sonho, só mais uma vez ou outra, confusa, mas tranquila. Tem algo que ali que fala, fala, mas eu ainda não entendi. Ou entendi e não sei traduzir. Tempo. Há outras noites por chegar.

Entre o sonho e a intuição, eu ainda arrisco a coragem de caminhar no escuro.

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