Pra hoje

Hoje eu não quero o texto que arrebenta por dentro, remexendo tudo. Eu não quero a música que fala da saudade, da solidão, do futuro. Nem o filme que faz refletir, questiona, deixa o que for no ar. Hoje, eu não quero nada no ar, só o que abraça, aquece, faz carinho. Eu quero o simples, o que funciona.

Eu não sei se dá para escolher. Quer dizer, na vida, em geral, não dá pra ser tudo tão selecionado assim. Se por algumas horas, só hoje, eu vou conseguir, não sei. Preparei uma playlist de podcast, uma de série e levo mais uma de músicas que me trazem alguns sorrisos em meio a memória – é bom, eu de ido que é bom. Não vou falar da lista de textos me esperando para serem lidos, porque esses fazem pensar, e pra agora não se encaixam.

Escrever é bom, mas o problema é que começo no raso e vou indo, não paro. Quando vejo, eu mesma já remexo tudo por conta própria. É o poder de curar e ferir que essa coisa de escrever me traz, o que não é ruim, mas que não me serve tão bem agora.

Mas esse não é um texto para o mundo, é só um monólogo, coisa bem minha. É pra fazer carinho, fico me relembrando. Hoje é isto: eu, que nunca sei pedir, só preciso de carinho, não do espinho. Não está funcionando bem, mas pelo menos eu coloco pra fora, passo o tempo, sei lá. Nem tudo precisa ser uma grande obra de arte ( não será ).

Essa hora da noite é um pouco difícil, principalmente porque não vou dormir tão cedo. Eu fico lembrando daquilo que não deveria e me perguntando o que me faz querer o que eu quero. São tantas respostas que eu até preferia não saber o que dizer, mas este é o problema: eu sei. Eu só queria descobrir o tempo certo de falar. Não é hora pra isso… Será que um dia vai ser?

Olho no relógio de novo. Eu preciso ir. A gente sempre precisa ir.

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