
Vai ver a gente só quer que o outro diga que sentiu saudade. Que envie mensagem numa quinta – feira às 11h da manhã depois de três meses de silêncio dizendo que lembrou do cheiro entre teu pescoço e o ombro quando deitou com outra pessoa. Dizendo que voltou naquele lugar onde vocês compartilharam a última cerveja. Dizendo que precisa te contar tudo ou nada.
Pode ser que nem seja amor é que a gente só quer saber o que ficou do que não ficou . É uma coisa quase egocêntrica de querer ter sido importante, sabe? Porque amor, amor de verdade, nem precisa disso, não tem esse jogo de ego – pelo menos é o que você vai dizer pra tentar se convencer.
A gente confunde amor com saudade. Ou é o contrário? Quer ouvir que o seu toque ainda é vivo, como se tivesse sido ontem, apesar de ter sido a 62 dias – sim, alguém está contando . É o não querer passar em branco. Tudo bem que eu não fui o grande amor da tua vida, mas me diga alguma coisa que eu fui. É mais ou menos isso, pra fingir que não é muito mais do que isso.
Será que qualquer um deixa saudade? Que coisa confusa.
Aquecer a cama qualquer um aquece. Convidar pra aquele bar legal com banda de forró maravilhoso qualquer um convida. Mandar mensagem todo mundo manda. É que aí tem você e aquela pessoa, você e aquele olhar confidente em que dois segundos bastam, você e aquela noite noite dormindo em paz naquele abraço, você e aquela coisa que não sabe explicar o que aconteceu.
Pode ser que o pretexto da saudade seja apenas uma desculpa pra fugir de afirmar o amor. Ou será que é ao contrário? Talvez seja por isso que se vai, ou talvez seja por isso que se volta.
Às vezes nem é amor, é só saudade. E o quanto de saudade é amor, eu não sei dizer.