
Estou no meu inferno astral, dizem os astros. O mais engraçado é que depois de ter descoberto é que depois dele, vem o paraíso, o que é uma bela metáfora da vida.
Falando nisso, a vida tem sido minha amiga. Diz muito o fato de que não ando sendo inimiga dela. É um sentimento novo, diferente e que eu não sabia bem que poderia sentir, sem desconfiar.
Tem muita coisa dando errado também, antes mesmo do inferno astral. Tem erros (meus) , sobrecarga aqui e ali, um pouco de desordem, um pouco de saudade. Não é que tudo isso não aconteça, mas é que só se conserta com o caminho andando pra frente. É o fluxo normal, sabe?
Não quero ser mal interpretada: a vida foi boa comigo repetidas vezes nos últimos 27 anos da minha existência. O que mudou foi eu, minha desconfiança, aquilo que bate em todos nós sempre que a vida vai ficando interessante: ” é agora que tudo desmorona “. A gente fica pensando que existe uma pessoa todo hora na esquina só esperando pra colocar os pés e nos ver cair. Superar esse alguém à esquina, que por vezes, somos nós mesmo é um grande desafio.
Como disse a Anitta, agradeço a mim mesma por esses aprendizados. É claro que só a mim, sobretudo a mim. Não foi porque alguém falou algo, ou porque alguém me salvou. A história não é essa, no fim das contas nem combinaria comigo. Não foi algo ou alguém, fui eu, pura e simplesmente. Vai ver o cansaço de cada dia me fez enxergar, um passo de cada vez.
Eu fui dando uma chance pra vida me dizer que é no simples, na rotina boba, no sonho irreal (ou não) que a vida acontece que me pega pela mão e me mostra o mundo. O meu mundo. E o que tenho descoberto é que o meu mundo, estranho mesmo como podem dizer, é bom.
O meu mundo tem gente boa. Tem a minha comida preferida (cabeça de galo) de surpresa na terça-feira. Tem cama quentinha aos sábados ou também na Jurema, ou em algum bar por aí. Tem minha lista de livros que quase sempre consigo ler todas as manhãs às 7h15 tomando café da manhã. Tem pelo menos uma descoberta na semana, e a última é que gosto mesmo dela, a penúltima é que a língua polonesa é mais fácil que a que a húngara. Tem a coragem de dar ideias à vida sem prentensao de que sejam sérias. Tem casa antiga, com histórias novas me esperando para o futuro.
Que confusão… Eu gosto disso. Esses desencontros entre eu e o mundo me tira de qualquer zona de conforto e me impede de parar – virginiana que sou, com ou sem inferno astral, gosto de movimentos tanto quanto das rotinas. Não há medo por ser quem sou, a vida é minha amiga. Mesmo que ela traia a minha confiança, do chão não passamos (não ainda).
A todas as pessoas que disseram que a vida aos 27 era melhor, o meu muito obrigada. Ela não é só melhor, como eu sou melhor mesmo sabendo que ainda tenho muito para me consertar e me conhecer. E acho, que no fim, é por isso que a vida anda sendo minha amiga. Porque aprendi a olhar pra frente com carinho.
Vou driblando o inferno astral dia sim e dia também. Que ele me encontre. Pois vamos nos encarar olho no olho e dizer: é daqui para o paraíso.