
Hoje, uma amiga compartilhou comigo sobre o que o outro perde nós quando saí da nossa vida. Quando alguém vai sempre pensamos no que perdemos, mas o outro também deixa de ter algo. E aí a conversa se alongou: “o que o outro perde quando me perde?”, eu pensei.
Bom, não é minha habilidade de cozinhar, porque essa fica só para a questão de sobrevivência. Também não é minha capacidade de ser a pessoa mais efusiva do ambiente. Menos ainda alguém que seja boa com discussões.
O que o outro deixa de ter é a minha compreensão de ouvir que acolhe e ajuda a respirar. É o meu amor. Como amiga, são milhares de risadas que eu posso arrancar de alguém com minhas besteiras. Como namorada, é o carinho na mão até você dormir, a mensagem avisando que sua banda preferida marcou um show – e vamos -, o brilho no olho ouvindo sobre o seu dia. Os planos de vida, a presença. É a lealdade, em todos os casos.
Perde minha capacidade de te compreender antes de julgar. A minha felicidade de te ver realizando sonhos. O olhar atento, cuidadoso: você comeu? Eu chamo o Uber pra ti, espera aí, não se molha. Quem me perde deixa pra trás meu jeito de fazer piada de tudo com o sorriso sério.
Perde a parceria, não importa se quer ir ao bingo com pessoas de 80 anos ou na festa até 5 da manhã. Perde eu parando tudo pra te dar a mão quando o mundo lá fora dói. Perde aquela pergunta: isso é importante pra você? Então vamos fazer acontecer. Perde eu dizendo: quer que eu vá aí agora? Perde o meu tempo, que é sagrado.
Ah, não posso esquecer que perde o olhar orgulhoso da sua história – só amo quem eu admiro – perde o meu respeito de não querer curar a sua dor, porque é sua, mas de estar aqui pra dividir o peso a qualquer hora do dia.
Há pessoas que mutuamente, perdem-se, porque a vida é isso mesmo e nem sempre é menos bonita a história. Não é uma competição de quem perdeu ou ganhou mais, é apenas um jeito de lembrar quem você é. Quem perde talvez encontre pessoas e coisas muito melhores, não é sobre isso que estou falando- aliás, eu sou um tipo bem comum.
Nas pessoas em que eu sigo, sou tudo. Às vezes, isso até me custa um pouco, só que é quem eu sou, não é? Há muito tempo resolvi o conflito entre o limite do que devo fazer pelo outro e o limite do que é bom pra mim. Dos 18 aos 27 esse foi o grande aprendizado, e ficou o que aceito o que é a minha essência. Abraço o meu jeito e tentativas de ser pra mim e – depois – para o outro tudo que eu não gostaria de perder em alguém, por isso é tão importante de reconhecer aquilo de bom que perdem de mim.
É claro que o outro também ” perde ” – ou se livra – das coisas ruins, como o meu jeito muito reservado ou a mania de não saber pedir ajuda. São meus defeitos e cicatrizes que os outros não precisa lidar, e sorte deles – eu sigo aqui na luta.
Um dia li a frase mais bonita de Fernando Pessoa: ” se perder um amor, não se perca “. Acho que vale pra amores no geral, lugares, sonhos, coisas… tudo o que passa. O que vem e fica sempre vai encontrar o que todos vão sentir falta de deixar pra trás sem você.
Eu não sei o que o outro perde quando saí da sua vida, mas eu espero que você saiba. Com certeza, é sua parte mais bonita. Tomara que seja sempre assim: que o mundo não te arranque a sua melhor versão.