
Eu me sento ao seu lado, olhamos para a frente, música ambiente, vento ameno no rosto.
Não precisa ser um destino paradisíaco, pode ser na sala de casa, qualquer mundo lá de fora cabe bem aí no fundo dos teus olhos. Eu poderia escrever uma música sobre eles, se eu escrevesse músicas.
Você escolhe o almoço, a bebida, eu escolho o destino, a ida. Você diz “sim”, eu digo “amém “. Você me chama de baby, eu te respondo ” meu bem ” – e meu bem é tudo, li dia desses.
Compartilho meus sonhos: quero ver a neve, a aurora boreal, ter uma casa com pátio.
O mundo é imenso e não é, te digo embriagada entre utopias e sensatez como me expresso há 27 anos.
Pega a minha mão, sorri de canto, como quem ri de eu sonhar, tanto, até dizer: vamos, nós vamos.
Tenho dias mais sóbrios de sonhos, pé na vida real: trabalho, pago contas, brigo por casa desarrumada – sou como todo mundo, tão comum. Traços os meus desafios dia a dia, não poderia ser mais simples e persistente. Gosto das manhãs, me arrasto nas tardes e volto a sorrir nas noites. Sonho à parte, horário bom é o fim de tarde do reencontro. Te espero chegar ou você me espera ir, ritmos ao nosso passo na vida.
Entro na dança dos teus olhos, quem poderia me previnir?
Dizer e não dizer: está tudo alí.
Você conseguiu ao menos entender?
Canto baixinho, quase sem perceber, aquele clichê: ” vamos fugir, baby “.
Lembro que fugir não é pra mim, nunca foi. Mesmo no mundo dos sonhos, eu gosto de pisar no real, e fugir não tem vez aqui.
Dou uma risada de leve, volto pra letra: ” pra onde quer que você vá, que você me carregue ”
Que eu queira ir, e você também. Que teus olhos me toquem e tua mão me leve.
Que o bilhete de volta sempre valha a pena.
(amém) .