Flashback, vida real

Talvez eu tenha tudo o que sempre quis e não percebo. Talvez tudo o que eu sempre quis tenha mudado – e percebo.

O que é uma coisa e o que é outra? Em qual ponto a linha se estabeleceu? De lá pra cá é isto, de cá pra lá é aquilo. Será que foi marcado com giz e se apagou antes que eu pudesse ver? Caminhos tortos que aprendi a percorrer.

Pensei, então, nas expectativas, mas estão no zero.. Há muito tempo elas não saem do zero nesse ponteiro. É até bom, penso agora, porque ter expectativas é o que destrói a maioria das coisas, embora elas não tenham ficado intactas de qualquer forma.

Vivi muitos flashbacks hoje, a memória insiste em não saber pra qual lado vai. Flashback de tudo, de muitas cenas da vida real, e você estava lá, a imagem sempre viva, nenhum detalhe esquecido ou deixado pra lá (e eu bem que tentei). Ontem, li um texto que citava aquela música, ” é, só tinha de ser com você, havia de ser com você”, e agora lembro dele, da música e de ti.

Você nem imagina quantas vezes eu quis ligar, e nem quantas vezes me convenci a não ligar, de ser apenas quem dá tempo ao tempo, mas adivinhe só: ninguém nos diz qual é o tempo da saudade. As taças de vinho dessa cidade já decoraram o teu nome nos meus lábios, igualzinho como eu decorei sua risada e a forma como sorri com os olhos, e que me lembra muito a Maraisa.

E você, quantos detalhes meus já esqueceu enquanto isso? Quantas pessoas mais fáceis, mais descomplicadas, mais falantes e atraentes já colocou no lugar que eu pedi tanto pra ficar? Quantas vezes já duvidou do que eu sinto nas últimas três semanas, porque eu te bloqueei de tudo e não respondo mais a nenhum email seu? Você finalmente me descartou feito carta fora do baralho? Cansou? Quantas vezes você se importou? Aliás. Você se importa com alguma coisa nessa vida, que não seja você mesma?

Comecei uma lista de coisas pra te falar caso você resolvesse decidir me achar de novo, até me dar conta do quanto inútil era isso.

Acho que não sou feita de azul, meu olhar vago é até escuro demais e duvido muito que eu lembre qualquer coisa clara, calma e límpida. Mas, olha meu bem, se quiser morar aqui só existe a cor cinza pra você, de rosa ficou só aquele coração que às vezes, eu insisto em usar. Você dizia que tinha planos, sonhos, mas nenhum deles será comigo, e eu só posso te dizer que a minha linha do futuro parecia mais bonita cruzando com a tua.

Se o que eu guardei pra você era morno, não te preencheu, nem tinha emoção, então vou te contar: aqui queimou. Ainda não parou de queimar.

Se era tão fácil pra você me esquecer, por quê não esqueceu?

Deixe um comentário