Apenas o dia 4

João Pessoa/Paraíba

Ontem, dormi prometendo que a partir de hoje eu teria um compromisso diário: a rotina da escrita matinal, aquela recomendada por autoconhecimento ou para praticar a criatividade.

Hoje, sentei pra trabalhar e já havia esquecido. É que comigo a escrita vem de outras formas: na fila do supermercado, descendo o elevador do prédio, olhando para o nada ou tudo. Escrever é quem eu sou, mas quem eu sou?

Pensei várias coisas sobre o processo todo. Vou escrever à mão, quem sabe. Tenho uma pequena agenda que ganhei de presente. Mas é que depois quero passar sempre para o computador, e aí, como fica? Trabalho em dobro? Ah, não… E se eu escrever com a caneta no tablet? Não dá a mesma sensação. Então, deixa pra lá, vou fazer logo no computador e facilitar a vida. Mas… A ideia era curtir o momento, não era?!

Foram uns 25 minutos tão focada no ” como ” sem nem ter começado. Eu me questionei tanto dos meios que não ligava mais para o fim. Bom, deve ser assim que eu – e todos nós – faço com a maior parte da minha vida. O mais engraçado é que até esqueci disso tudo depois do meu acorda-corre-escutapodcast-comprapão-fazcafé- começa -o – dia. Eu sou fiel à rotina, você já deveria saber.

Resgatei, então, o que escrevi ontem antes de dormir ( vem a qualquer hora, lembra? ). Era assim:

Outro eu, outra pessoa

Outra sombra me esperando do lado de lá da linha que nunca sei se devo ou não cruzar. E são tantas linhas pelo caminho que chego a tropeçar, perco a conta e o ar. Gostava mais quando as únicas linhas no chão eram da amarelinha que eu precisava pula.

Quem foi que roubou o mapa? Eu tinha certeza de que tinha alguma rota por aqui. Você a viu? Alguém lembra? Socorro, perdi o tempo. Pensando bem, quem sabe esse foi o verdadeiro tempo, eu que não soube reconhecer antes acionada demais com as linhas no cominho.

Tenho sentido de começar t – e – n – t – a – r tantas coisas. Eu sei que ainda há um verão para viver e não faço ideia de como será o inverno, mas vamos com calma. Uma estação por vez, é o que tenho implorado.

Essa é a história de como, mais uma vez, eu quase me sabotei. E foi assim também que acabei realmente escrevendo, sentindo – nem são 10h ainda, e esse é apenas o dia 4. Às vezes, é só o tempo que precisa agir.

Li agora pouco uma história bonita de amor (real) que pode ter sido a faísca para eu sentar e escrever. E talvez você diga que eu não falei de amor, mas pensa melhor.

Lê de novo. Sempre foi o amor, você sabe.

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