
Hoje, eu vou ver o mar. Se alguém perguntar por mim, é aqui que eu vou estar. Diga que fui de encontro ao meu eu, a toda e qualquer origem de mim, de onde venho, para onde vou.
Isso é tudo o que penso enquanto a água cai nas minhas costas. Tenho essa banheira há um mês e foi a primeira vez que sentei nela. Talvez eu esteja correndo demais. O som da água me lembra da vez que fui numa cachoeira com minha família, há tantos anos que nem consigo contar. E quantas vezes eu voltei desde então? De novo: talvez eu esteja correndo demais. Mas pra quê? Por quem? Pra qual direção?
O mar – a água – me rodeia desde 1995. Nunca nos separamos desde então, mudaram apenas as paisagens. Diz a minha linha do mapa que da minha parte do oceano é possível chegar em linha quase reta na minha outra parte do mesmo oceano. Onde eu quero chegar?
A minha geografia é atravessar o atlântico; aí de mim que nunca soube nadar – e, mesmo assim, nadei.
(é apenas o exercício 02 de um tempo que finalmente eu comecei a me escutar).