
Não tive muito tempo para refletir ou escrever sobre meus 28. Eu vivi o 27 enquanto ele chegavam, o que já é um ato bem corajoso. Nos 26, foi um pouco parecido: nada de dramas, grandes dilemas ou reflexão.
Eu lembro que quando o 27 chegou eu decidi recapitular a vida até alí. A gente faz muito dessas coisas, não é verdade? No fim, o resultado foi perceber que meus sonhos traçados até os 30 estavam realizados, e falo isso com espanto. Quer dizer, não exatamente todos, porque alguns mudaram na rota, então já não eram mais aqueles originais, mas eram tão bons quanto. Dizem que sou muito focada, vou colocar essa na rota do foco então. Ah, falta um daqueles sonhos, que a gente não coloca nem de longe na escala de prioridade: ser uma ex BBB. Estou trabalhando nele, juro.
Acontece que a única crise perto dos 27 foi perceber isso e me perguntar: mas e agora, o que será que eu quero nos próximos anos? Não querer algo me deixou aflita. Fiquei 15 minutos sentindo esse vazio estranho para alguém como eu. Era falta de sonho, pelo menos na superfície. Quando ainda , dentro de 15 minutos eu fui um pouco mais fundo, e percebi que tinha um tanto de sonho me esperando lá dentro. Eles estavam loucos pra sair, desabrochar e me inquietar. Pronto, a crise dos 27 durou só isso.
Enquanto esperei esse ponteiro bater as 00:00 tudo que fiz foi ter uma conversa com o coração, dizer que é bom ver ele leve e sem medo porém, ei, cuidado ali na curva, você -nao-sabe-onde-pisa. Também sorri quando encarei meu olhar no espelho. Às vezes dá vontade de me sacudir e ver se eu reajo, eu sei que todo mundo vai concordar, mas olha, o meu sacudir é viver na calma do meu coração e no bom humor da minha cabeça.
Viver os 28, nos primeiros dias é confortável demais, mas o que eu poderia esperar? Ter o pão quentinho no início do dia, livro bom.pra esquecer o dia, meus forrozinhos para ir escapando, um lugar bonito pra visitar e um tanto de gente para dividir a vida. Vamos lá de novo: eu sou virginiana! Alguma coisa vai me bater forte e me vencer por uns dias, mas eu vou lá dar meu jeito de novo. Adaptação. Nessa altura do campeonato eu já aprendi. Só quem já passou muito tempo no escuro vai entender o que muda quando a gente se puxa de lá.
Ah, sim, já tenho uma lista de muitos novos sonhos. Coloquei uns prazos mais curtos, coisa de dois, cinco e dez anos. Vamos ver no que dá, não é compromisso sério, é só pra não faltar combustível. Tem coisa difícil, pra caramba, mas antes também tinha, certo? O que fica no caminho, ficou. O que perdurar, eu abraço e me acerto… é assim no amor, no trabalho, na amizade, na confusão, na cidade e no ar.
A verdade é que eu nem vi os 28 chegar. Eu fiquei meio ocupada em equilibrar o coração ansioso, dormir poucas horas, completar minha lista de visitas da semana, não sujar a roupa porque fico de mau humor, dar umas boas risadas que sustentam o resto e não morrer de saudade. Deu tudo certo, vai dando, mesmo quando der errado. Coisas da vida, um dia te conto melhor!
Bem vindo, 28 anos.