A rotina do amor ( não é uma comédia romântica ).

Dm cafeteria/ João Pessoa – Cabo Branco

A rotina do amor leva tempo.

Apaixonar – se pode precisar de exatidão de meio segundo ou menos, mas a rotina do amor é um trabalho muito maior.

É o tempo pra decorar o seu tom de voz quando esconde uma crise de ciúmes, ou então pra decorar a cor do seu olho ficando lentamente mais forte quando está triste. O tempo para descobrir que você gosta do café não tão forte, mas nem tão frio.

Tempo pra saber se a lua de mel vai ser em Portland ou Portugal. Tempo pra saber que você não gosta do tédio, mas precisa ter seu espaço de silêncio. Tempo para separar os sonhos e unir as vontades, fazendo nosso ponto de encontro no meio do caminho.

A rotina do amor é como a confirmação do amor. Você pode amar, mas você aguenta o trabalho que esse amor exige? Você sustenta o amor? Você ama, mas você se dispõe a esse amor? Você aceita a rotina de amar dia a dia, mesmo que o céu fique cinza e a chuva demora a pesar? Você banca aquilo que sente, ou por quem sente?

Você aceita esse amor nos dias em que o olho perde o brilho, a terapia não dá conta e a cabeça vai para longe? Porque acontece, simplesmente acontece. E rotina cansa, você pode negar, mas tem dias que cansa e é aí que precisa ser reinventada. Você aceita reinventar essa rotina do amor?

Quando errar, vai pedir pra voltar? Quando se magoar, vai aprender a perdoar? Porque é assim, eu erro, você também, eles todos mais ainda. É coisa do amor perder o passo de vez em quando, você sabia? E também é coisa do amor reaprender a andar – de mãos dadas ou a sós.

A rotina do amor poderia ser o título de uma comédia romântica. Só que é a vida real, às vezes ri e às vezes chora. A rotina do amor, é bem maior do que o próprio amor. Isso é tudo o que eu queria te contar.

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eu desenhos rotinas como quem respira, mas falho no amor como quem tem asma..

se eu me perder no caminho,

você engana o tempo

vem me encontrar?

Adaptação ( meus 28 anos que eu nem vi )

Não tive muito tempo para refletir ou escrever sobre meus 28. Eu vivi o 27 enquanto ele chegavam, o que já é um ato bem corajoso. Nos 26, foi um pouco parecido: nada de dramas, grandes dilemas ou reflexão.

Eu lembro que quando o 27 chegou eu decidi recapitular a vida até alí. A gente faz muito dessas coisas, não é verdade? No fim, o resultado foi perceber que meus sonhos traçados até os 30 estavam realizados, e falo isso com espanto. Quer dizer, não exatamente todos, porque alguns mudaram na rota, então já não eram mais aqueles originais, mas eram tão bons quanto. Dizem que sou muito focada, vou colocar essa na rota do foco então. Ah, falta um daqueles sonhos, que a gente não coloca nem de longe na escala de prioridade: ser uma ex BBB. Estou trabalhando nele, juro.

Acontece que a única crise perto dos 27 foi perceber isso e me perguntar: mas e agora, o que será que eu quero nos próximos anos? Não querer algo me deixou aflita. Fiquei 15 minutos sentindo esse vazio estranho para alguém como eu. Era falta de sonho, pelo menos na superfície. Quando ainda , dentro de 15 minutos eu fui um pouco mais fundo, e percebi que tinha um tanto de sonho me esperando lá dentro. Eles estavam loucos pra sair, desabrochar e me inquietar. Pronto, a crise dos 27 durou só isso.

Enquanto esperei esse ponteiro bater as 00:00 tudo que fiz foi ter uma conversa com o coração, dizer que é bom ver ele leve e sem medo porém, ei, cuidado ali na curva, você -nao-sabe-onde-pisa. Também sorri quando encarei meu olhar no espelho. Às vezes dá vontade de me sacudir e ver se eu reajo, eu sei que todo mundo vai concordar, mas olha, o meu sacudir é viver na calma do meu coração e no bom humor da minha cabeça.

Viver os 28, nos primeiros dias é confortável demais, mas o que eu poderia esperar? Ter o pão quentinho no início do dia, livro bom.pra esquecer o dia, meus forrozinhos para ir escapando, um lugar bonito pra visitar e um tanto de gente para dividir a vida. Vamos lá de novo: eu sou virginiana! Alguma coisa vai me bater forte e me vencer por uns dias, mas eu vou lá dar meu jeito de novo. Adaptação. Nessa altura do campeonato eu já aprendi. Só quem já passou muito tempo no escuro vai entender o que muda quando a gente se puxa de lá.

Ah, sim, já tenho uma lista de muitos novos sonhos. Coloquei uns prazos mais curtos, coisa de dois, cinco e dez anos. Vamos ver no que dá, não é compromisso sério, é só pra não faltar combustível. Tem coisa difícil, pra caramba, mas antes também tinha, certo? O que fica no caminho, ficou. O que perdurar, eu abraço e me acerto… é assim no amor, no trabalho, na amizade, na confusão, na cidade e no ar.

A verdade é que eu nem vi os 28 chegar. Eu fiquei meio ocupada em equilibrar o coração ansioso, dormir poucas horas, completar minha lista de visitas da semana, não sujar a roupa porque fico de mau humor, dar umas boas risadas que sustentam o resto e não morrer de saudade. Deu tudo certo, vai dando, mesmo quando der errado. Coisas da vida, um dia te conto melhor!

Bem vindo, 28 anos.

Exercício 02

Hoje, eu vou ver o mar. Se alguém perguntar por mim, é aqui que eu vou estar. Diga que fui de encontro ao meu eu, a toda e qualquer origem de mim, de onde venho, para onde vou.

Isso é tudo o que penso enquanto a água cai nas minhas costas. Tenho essa banheira há um mês e foi a primeira vez que sentei nela. Talvez eu esteja correndo demais. O som da água me lembra da vez que fui numa cachoeira com minha família, há tantos anos que nem consigo contar. E quantas vezes eu voltei desde então? De novo: talvez eu esteja correndo demais. Mas pra quê? Por quem? Pra qual direção?

O mar – a água – me rodeia desde 1995. Nunca nos separamos desde então, mudaram apenas as paisagens. Diz a minha linha do mapa que da minha parte do oceano é possível chegar em linha quase reta na minha outra parte do mesmo oceano. Onde eu quero chegar?

A minha geografia é atravessar o atlântico; aí de mim que nunca soube nadar – e, mesmo assim, nadei.

(é apenas o exercício 02 de um tempo que finalmente eu comecei a me escutar).

Aceno

Parque Solon de Lucena/João Pessoa

Ela balançou ao longe, foi difícil avistar. Depois, foi ainda mais difícil acreditar que era pra mim aquele aceno. Mas era isto mesmo: a bandeira branca acenava pra mim.

Bandeira branca pra felicidade, pra entender que não precisa se levar tão a sério nem cair nas armadilhas de quem nos atravessa por puro ego. Se. Por vezes, sem pretensão alguma, como sempre se foi, também é bom e permitido, ajuda aliviar os dias, as emoções, os pesos. Não vou dizer que é o momento de paz, penso até que vai contra os meus princípios dividir a vida em “estar tudo certo”. Não é bem por aí, mas existe algo no meio do caminho, principalmente eu e aquela bandeira que acena.

É o momento da bandeira branca e basta, desse intervalo entre princípios por onde não sei dirigir, apesar de até agora o carro nunca ter caído de lá de cima. Sigo a direção pelas placas, mas às vezes elas não estão lá ou é difícil enxergar no escuro. O escuro, aliás, virou um grande amigo, já sabe até me respeitar tanto quanto eu respeito ele e vivemos assim em harmonia. Quem já dirigiu à noite, sabe como é. Vivemos assim: ele não ultrapassa os limites de lá e eu de cá.

Estou me dando permissão pra encerrar o que não tem vida e descubro que não é pouca coisa. É por isso que o peito pesava tanto: de onde veio tudo isso? Sei as respostas aqui e alí, enquanto outras abro mão de entender, porque há um tempo pra cada coisa da vida que não sei explicar quando queremos, e sim quando estamos prontos. Coisa boa é saber se ouvir e se respeitar: no fundo há algo que diz haver jeito pra (quase) tudo.

Dou bandeira branca pra esse sorriso que me invade, me pega pela mão e me diz que é bonito aceitar quem fica, ouve, respeita, questiona. É bonito se deixar levar. Bandeira branca também pra esse abandonar de sonhos, deixando algumas coisas na caixa do “nunca realizado” sabendo que não é o que tem que ser, abrindo espaço pra tantos outros na caixa “a realizar”. Pra quem não cansa há sempre mais, acho que sou desse time. Por agora, vou trocando mobílias de lugar pra ver o sol nascer melhor na janela da alma.

Estou aqui segurando essa bandeira por mim e por todas as versões de mim, inclusive aquelas que ainda vão chegar e outras que ficaram pelo caminho para que essa de hoje existisse. É corajoso, não precisa haver modéstia, pois nem todo mundo suportaria se habitar. Por aqui, experimentar e habitar vem sendo bonito – processos cíclicos que encontram o eixo.

Talvez o carro caia de cima, talvez não. Bandeira branca para descobrir.

A história inteira

Você viu os meus olhos vermelhos e não questionou, mas também não desviou o olhar. Conheceu onde doeu. Me encontrou sem ter nada que eu pudesse falar e ouviu o meu silêncio. Sentiu o peso da minha verdade, tudo isso em uma simples noite.

Você não fugiu, o que já é mais que 98% faria, nem me atacou com minhas próprias feridas, só olhou e respeitou. Eu não saberia dizer se isso te assustou ou se foi o que te fez querer saber mais, porque não deixou muito claro logo de cara. Você primeiro me desconheceu pra depois me conhecer e eu achei isso uma das coisas mais bonitas que alguém fez por mim nos últimos anos, pra dizer o mínimo.

Você veio como um soco, embora eu saiba que era um carinho, sou eu que não sei diferenciar facilmente quando esses efeitos chegam lá no fundo de mim. Tentei não te afastar, te entregar aquilo que gostaria de receber. Tuas mãos brincam em me distrair, enquanto tua boca quer minha atenção: não é apenas o beijo, é muito mais. Você quer que eu leia o seu todo, mesmo que só me apresente metade. E quem disse que sou diferente? É aí que tudo se encaixa.

Dia desses uma amiga me perguntou dos meus planos, falávamos da vida caso fosse possível escrever sobre um filme que já assistimos. “Fácil”, eu disse, e continuei: quero um família média, com dois filhos e minhas gatas, uma máquina de café completa, a liberdade do meu trabalho e viajar para um lugar bonito a cada ano. Ah, o casamento na praia… Eu não abro mão do casamento ao ar livre no por do sol. Ela riu e brincou: tudo isso sendo jornalista?, E perguntou se seria com você. Eu sorri.

Em cada dia vivo um tanto das minhas batalhas internas, afinal, sou como todo mundo, e ninguém é obrigado a ficar enquanto monto meu próprio quebra – cabeça ou persigo os planos – do casamento na praia ao meu sonho de ser uma sister num reality show. Coloquei na tua mão duas ou três peças desse quebra – cabeça sem que você notasse só pra testar como ia reagir, se corria ou se ficava. Eu tive a minha resposta.

Você não merece um texto. Merece uma história inteira. E tudo que eu ainda vou aprender a te entregar sem duvidar da vida.

Quarta-feira-coisa-e-tal

João Pessoa/Paraíba

O tempo congela.

É só um detalhe que você não viu, embora todo mundo em volta tenha notado e de nada adiantaria que tivessem lhe dito algo. É que você estava desatenta, mais uma vez.

Quando o mundo girar de novo, você irá saber; você sempre soube.

Prometi não boicotar a felicidade, ao menos dessa vez. Observar os sinais e protege – los, ouvi – los, vive – los como quem tem a última chance, ainda que não seja, mas nunca sabemos. Por que escapou da última vez mesmo? Eu já não lembro.

Quando abri os olhos nessa manhã, estava tudo lá, e era bem. Não estava em ordem, talvez Marie Kondon ou alguma guru mais recente de arrumação não aprovasse, mas eu aprovei. Existe sempre um caos que fica como um alerta: arrumar demais não deixa margem para o acaso.

Aliás, o acaso.

Quando o mundo girar de novo, o acaso mais uma vez fará a sua mágica. Será que a vida não é uma eterna espera pelo acaso? E o que a gente faz no meio do caminho não será apenas uma distração? Ou é o contrário? Desculpa, é quarta-feira e coisa-e-tal ( isso não é uma reclamação).

Às vezes, eu penso: enquanto houver café quente antes das 08h, tudo se ajeitará. Há também aqueles dias em que o silêncio basta, e esses são os mais estranhos. Viver as manhãs é um vício.

Enquanto isso, imagino as páginas do livro que um dia possa nascer. Talvez inicie bem assim: sinais de você se espalham. Sinais da bagunça. Sabe, são as coisas do acaso.

Quando o tempo congelar de novo, eu vou aprender a cozinhar. Vou colocar a mesa e você vai achar graça do meu esforço atrapalhado. Depois, no sofá, vamos rir até a madrugada chegar. Eu vou dormir no meio de um filme, você vai perguntar como eu consigo assim tão fácil, mas não vou saber responder. Tudo assim, muito previsível. Lá fora, as pessoas fazem festa, mas hoje não, hoje somos nós. O amor à beira do acaso é a coisa mais linda do mundo.

O tempo descongelou.

( agora sim, dessa linha para frente nada é criativo, é tudo autoral )

Nota mental 01:. Se eu soubesse que o inverno seria tão longo, teria reservado aquela passagem para Bahia.

Nota mental 02:. Preciso tirar a lista de tarefas do gerúndio.

O t-e-m-p-o.

Você sempre soube, garota.

Partir para não quebrar

Não espere despedida, só vá. Quando sentir que o lugar não te acomoda mais, vá. Não espere o abraço, a festa de adeus, o carinho, qualquer coisa. Um dia, quando essa pele não te habitar mais, parta, aprenda a partir.

Saiba partir mesmo depois de partir – se, porque é nessa capacidade de ir que nos colamos outra vez. E não fique parada aí esperando respostas que só chegam com o tempo, porque ele precisa passar e você precisa esperar o ponteiro andar, não há solução nessa vida que no fundo é igual para todos nós.

Vivemos contra o relógio, não é isso que é a vida? Esperamos a hora que acaba de vez essa jornada e pronto: não há mais o que contar, nem lugar para chegar ou partir. Dizem que existe um depois que não se sabe muito bem como funciona, embora as crenças tenham sua versão cada uma, e o certo é que um belo dia, atravessando a rua ou na cama de um hospital tudo acaba. A vida é uma corrida contra esse relógio, você vai mesmo brigar tanto assim com o tempo? Vai mesmo querer estar onde não é o seu lugar? Vai esquentar essa caseira pra quem, enquanto a sua está vazia?

Se não souber partir, aprenda. Obrigue – se, sei lá. Há lugares, coisas, pessoas, momentos, sentimentos que vão quebrar ainda mais, se nós não soubermos partir – e essa tarefa é nossa, não do outro. Então, antes de se recolher do chão, saia de pé, ou quase de pé, como for. Saia, vá, grite lá fora um pouco, se necessário. Corra, corra, corra. Faça da vida a sua linha de chegada, desenhe um troféu e cole na parada do seu quarto, imagine um alvo e persiga ele. Eu não sei. Encontre um jeito.

Estou dando conselhos ao vento como se soubesse muito, mas é aquela coisa de confiança, lembra? Como já disse, eu também não sei. Parto no movimento, no susto, pela frieza, às vezes, no pânico mesmo eu vou. Quando vejo, fui. Carrego tanto aqui dessas partidas que nem sei dizer, mas me afoguei muitas vezes pra aprender pelo menos uma coisa: se alguém te deixou sozinho no mar, sem você saber nadar, seja o seu próprio salva vidas. Não romantiza a sua falta de ar ( e isso vale pra tudo na vida ).

Parta, parta logo. Hoje, amanhã, não semana que vem. Faça as malas e carregue apenas o essencial, porque o caminho é difícil e você vai precisar de leveza em muitos momentos. Ah, e abandone certezas, já aviso que elas não cabem por aqui. Mas, por favor, não se abandone. Agarre – se firme, não olhe para trás e parta.

Quando você menos esperar, lá está ela, a linha de chegada. E aí, então, tudo faz sentido sem precisar se quebrar.

E foi assim: desde o dia em que lembrei que sei partir, eu nunca mais quis te procurar.

Estou arrumando as malas

Altiplano – João Pessoa/Paraíba

Eu vivo as inquietações, feita desse sentimento de que quem eu sou já não me basta.

Pode ser a primeira vez em que digo: quem eu sou é bom. Não é insatisfação, entenda. É o desejo de expandir, aquela coisa que só vem quando metade de nós já se encontrou e 50% é uma grande conquista no pódio da vida.

Quando as moléculas de H20 são aquecidas em um pote de água, é isto que acontece: elas se expandem, podem chegar a extravasar o ambiente.

Elas querem mais, porque são mais. Aumentam de tamanho porque fervilham.

Eu também, ainda bem.

Eu quero ver o que tem do lado de lá, atravessar essa ponte que tantas desculpas eu dei pra mim mesma até hoje. Não era hora, nem o lugar, não era vontade, nem necessidade, não era pra mim, não era assim.

E era, sempre foi.

Não chego atrasada, mas também não tenho hora marcada.

Vou seguindo o conselho de quem sabe mais do que eu (🎩💛): se for leve, segue; se pesar, freia.

É reconfortante saber que agora já alcanço os pedais.

Se todo processo de mudança é bagunça, chegou a hora de fazer as malas. Eu sei exatamente pra onde essa bússola vai apontar.

Sinto saudade de mim, mas dessa vez é diferente.

Eu sei exatamente onde me encontrar.

Apenas o dia 4

João Pessoa/Paraíba

Ontem, dormi prometendo que a partir de hoje eu teria um compromisso diário: a rotina da escrita matinal, aquela recomendada por autoconhecimento ou para praticar a criatividade.

Hoje, sentei pra trabalhar e já havia esquecido. É que comigo a escrita vem de outras formas: na fila do supermercado, descendo o elevador do prédio, olhando para o nada ou tudo. Escrever é quem eu sou, mas quem eu sou?

Pensei várias coisas sobre o processo todo. Vou escrever à mão, quem sabe. Tenho uma pequena agenda que ganhei de presente. Mas é que depois quero passar sempre para o computador, e aí, como fica? Trabalho em dobro? Ah, não… E se eu escrever com a caneta no tablet? Não dá a mesma sensação. Então, deixa pra lá, vou fazer logo no computador e facilitar a vida. Mas… A ideia era curtir o momento, não era?!

Foram uns 25 minutos tão focada no ” como ” sem nem ter começado. Eu me questionei tanto dos meios que não ligava mais para o fim. Bom, deve ser assim que eu – e todos nós – faço com a maior parte da minha vida. O mais engraçado é que até esqueci disso tudo depois do meu acorda-corre-escutapodcast-comprapão-fazcafé- começa -o – dia. Eu sou fiel à rotina, você já deveria saber.

Resgatei, então, o que escrevi ontem antes de dormir ( vem a qualquer hora, lembra? ). Era assim:

Outro eu, outra pessoa

Outra sombra me esperando do lado de lá da linha que nunca sei se devo ou não cruzar. E são tantas linhas pelo caminho que chego a tropeçar, perco a conta e o ar. Gostava mais quando as únicas linhas no chão eram da amarelinha que eu precisava pula.

Quem foi que roubou o mapa? Eu tinha certeza de que tinha alguma rota por aqui. Você a viu? Alguém lembra? Socorro, perdi o tempo. Pensando bem, quem sabe esse foi o verdadeiro tempo, eu que não soube reconhecer antes acionada demais com as linhas no cominho.

Tenho sentido de começar t – e – n – t – a – r tantas coisas. Eu sei que ainda há um verão para viver e não faço ideia de como será o inverno, mas vamos com calma. Uma estação por vez, é o que tenho implorado.

Essa é a história de como, mais uma vez, eu quase me sabotei. E foi assim também que acabei realmente escrevendo, sentindo – nem são 10h ainda, e esse é apenas o dia 4. Às vezes, é só o tempo que precisa agir.

Li agora pouco uma história bonita de amor (real) que pode ter sido a faísca para eu sentar e escrever. E talvez você diga que eu não falei de amor, mas pensa melhor.

Lê de novo. Sempre foi o amor, você sabe.

Flashback, vida real

Talvez eu tenha tudo o que sempre quis e não percebo. Talvez tudo o que eu sempre quis tenha mudado – e percebo.

O que é uma coisa e o que é outra? Em qual ponto a linha se estabeleceu? De lá pra cá é isto, de cá pra lá é aquilo. Será que foi marcado com giz e se apagou antes que eu pudesse ver? Caminhos tortos que aprendi a percorrer.

Pensei, então, nas expectativas, mas estão no zero.. Há muito tempo elas não saem do zero nesse ponteiro. É até bom, penso agora, porque ter expectativas é o que destrói a maioria das coisas, embora elas não tenham ficado intactas de qualquer forma.

Vivi muitos flashbacks hoje, a memória insiste em não saber pra qual lado vai. Flashback de tudo, de muitas cenas da vida real, e você estava lá, a imagem sempre viva, nenhum detalhe esquecido ou deixado pra lá (e eu bem que tentei). Ontem, li um texto que citava aquela música, ” é, só tinha de ser com você, havia de ser com você”, e agora lembro dele, da música e de ti.

Você nem imagina quantas vezes eu quis ligar, e nem quantas vezes me convenci a não ligar, de ser apenas quem dá tempo ao tempo, mas adivinhe só: ninguém nos diz qual é o tempo da saudade. As taças de vinho dessa cidade já decoraram o teu nome nos meus lábios, igualzinho como eu decorei sua risada e a forma como sorri com os olhos, e que me lembra muito a Maraisa.

E você, quantos detalhes meus já esqueceu enquanto isso? Quantas pessoas mais fáceis, mais descomplicadas, mais falantes e atraentes já colocou no lugar que eu pedi tanto pra ficar? Quantas vezes já duvidou do que eu sinto nas últimas três semanas, porque eu te bloqueei de tudo e não respondo mais a nenhum email seu? Você finalmente me descartou feito carta fora do baralho? Cansou? Quantas vezes você se importou? Aliás. Você se importa com alguma coisa nessa vida, que não seja você mesma?

Comecei uma lista de coisas pra te falar caso você resolvesse decidir me achar de novo, até me dar conta do quanto inútil era isso.

Acho que não sou feita de azul, meu olhar vago é até escuro demais e duvido muito que eu lembre qualquer coisa clara, calma e límpida. Mas, olha meu bem, se quiser morar aqui só existe a cor cinza pra você, de rosa ficou só aquele coração que às vezes, eu insisto em usar. Você dizia que tinha planos, sonhos, mas nenhum deles será comigo, e eu só posso te dizer que a minha linha do futuro parecia mais bonita cruzando com a tua.

Se o que eu guardei pra você era morno, não te preencheu, nem tinha emoção, então vou te contar: aqui queimou. Ainda não parou de queimar.

Se era tão fácil pra você me esquecer, por quê não esqueceu?